Não há ninguém mais feliz
No seu coração não há cicatriz
Da vida ela é apenas uma aprendiz
E a felicidade é a sua força motriz
A sua vida é uma eterna palhaçada
Eis aqui a Leide Gargalhada.
Certa vez, num show no meio do calçadão
Um rapaz caiu de cara no chão
Só se viu o rachão
Ai Leide com seu bochechão
Largou a gaitada no meio da multidão
A namorada do rapaz meteu nela a mão
E Leide, coitada, no hospital teve que levar até
injeção.
Outra vez, Leide Gargalhada começou a rir num aniversário
Porque alguém tropeçou no seu patrão empresário
E derrubou o bolo em cima do seu maior adversário
No outro dia, a coitada para não ser despedida
teve que rezar até um rosário.
E outra, num circo, ela passou o espetáculo
sorrindo
Porque seu amigo palhaço apareceu dormindo
Com uma cueca de coração até o umbigo
Ela achou aquilo muito antigo
Mas o palhaço acordou e nela jogou farinha de
trigo
E a pobre ainda rindo
Arrumou um eterno inimigo
No dia que ela precisou ele lhe negou até um
abrigo
E ela passou a morar na rua como um mendigo.
Autor: Raí Duarte