quarta-feira, 20 de junho de 2012

Malu Contente


De sorriso colgate
E dente de alicate
Malu Contente
Só vivia doente
Por causa de um amor adolescente

Começa assim a história
Se não me falhe a memória
Malu Contente decidiu fugir de casa
Depois que seu pai mal humorado
Descobriu o seu namorado

Então, Malu Contente
Decidiu viver de forma diferente
Virou hippie e passou a morar num matagal
Junto ao seu namorado Juvenal

Na sua vida a dois
Malu Contente não deixava nada pra depois
Pra provar seu amor a Juvenal
Ela tratou logo de pular de uma cachoeira fenomenal
Fazia piruetas demonstrando sua habilidade
E Juvenal não acreditava que aquilo era verdade

 Malu Contente estava feliz
Depois que seu pai juiz
Expulsou a coitada como uma meretriz
E ela agora tem a vida que sempre quis
Junto a seu namorado Juvenal Luiz

Após anos de noivado no meio do mato
O casal decidiu criar um macaco
Que logo morreu de infarto
Depois que Juvenal lhe deu um chá amargo
Pobre coitado!

Malu Contente depois desse incidente
Ficou doente e chorava de repente
Lamentava a morte do macaco
Culpando Juvenal pelo fato.

Então, Juvenal sentindo-se culpado
Tratou logo de caçar um papagaio
Pra suprir a morte do macaco carente
Dando-lhe de presente um bicho diferente

O papagaio adorava conversar com Malu Contente
Naquelas horas em que Juvenal estava ausente
Mas depois de Malu Contente pedir pro papagaio gritar sem parar

 O coitado ficou doente e Malu como uma anta
Não teve como fazer nada
E o papagaio morreu com um calo na garganta.

Malu Contente insana chorou uma semana
E Juvenal desesperado só fazia comer banana
Mas teve uma ideia bacana
Queria uma criança cujo nome seria Ana
E tratou de fazer a gincana.

Meses depois, Malu Contente ganhava a criança
Que encheu o lugar de esperança
Juvenal estava numa felicidade
Curtindo a paternidade.

Autor: Raí Duarte

O Palhaço Fantasia


Era uma vez o palhaço Fantasia
Um moço que vivia numa eterna alegria
Tinha um sorriso no rosto
Pra não dar lugar ao desgosto.

Naquele dia, o palhaço Fantasia
Tratou de fazer uma maluquice
Invadiu o espetáculo numa doidice
À procura de Eunice.

Uma mulher sem entendimento
Com um cabelo cheio de alisamento
Daquelas que faz da vida de um homem um tormento
E nem pensa em casamento.

O palhaço Fantasia na sua folia
Não sabia o que fazia
Pra conquistar sua idolatria
Tremenda idiotice
Seria viver sem Eunice.

Então, o palhaço na sua pureza
Pediu a uma criança indefesa
Pra entregar uma rosa
A uma mulher cujo nome completo era Eunice Tereza
Anos depois na sua vida a dois
O palhaço passou a vender arroz
Porque Eunice tratante
Fugiu com o amante
Após roubar um diamante.

Coitado do palhaço Fantasia
Voltou pro circo depois que uma ventania
Destruiu sua casa para sua agonia
E ele jurou que nunca mais se casaria
Para a sua alegria!


Autor: Raí Duarte

Van Van Beleza


No morro da Fortaleza
Morava uma perua cujo nome era Van Van Beleza
Que só queria fazer parte da realeza
Mas todos tinham certeza
Que ela era uma mulher de pouca gentileza.

Van Van Beleza era cabeleireira
E do povo mais bem vestido era chaleira
Fazia de tudo da melhor maneira
Só pra manter a carreira.

Van Van Beleza todo dia descia a ladeira
Só pra comprar produtos de cabelo lá na feira
Na mão carregava uma enorme carteira
Que não tinha dinheiro, só besteira.

Certo dia num baile do morro
Van Van Beleza com sua amiga Socorro
Tiveram um desentendimento por causa de Teteu Cachorro
O garanhão do bairro que andava com um gorro.


Não havia no morro uma mulher que garanhão não pegasse
Era cheio de graça e sacanagem
E só vivia na vadiagem.

Naquele dia, as duas peruas brigaram feio
Tornaram a vida de Teteu um pesadelo
Fez o coitado passar por um desespero
Foi até preciso chamar um justiceiro
Porque a briga não parava
Aí um tiro se ouviu no meu do salão
Todos saíram correndo na maior confusão.

No outro dia, Van Van Beleza
Tratou de passar uns dias na casa de sua tia Creuza
Só pra não perder a boniteza
E esquecer aquele momento de tristeza.


 Autor: Raí Duarte











Romeu do Conjunto


Era festa na comunidade
E todo mundo só falava no assunto
A presença do ilustre Romeu do Conjunto
Um cara de aparência estranha
Cujo trabalho era vendedor de presunto
E cortador de picanha

Romeu do Conjunto naquela comemoração
Trouxe uma flor na mão
Pra sua namorada Margarete
Uma fina empreguete
Daquelas da novela das sete

Romeu do Conjunto estava com roupa de ceda
E sua namorada azeda
Não tinha nem certeza
E tratou logo de armar uma confusão
A festa parou por inteira
Pra ver a ciumenta
Correr como uma jumenta
No meu da multidão

Alegando que Romeu não quer casamento
Porque ela é feia e precisa de um tratamento
Nos cabelos um alisamento
Na bunda um enchimento
Na barriga um emagrecimento
Na cara uma camada de cimento
Mas Romeu não tem investimento

Uma amiga do casal
Saiu do normal
Trouxe um gardenal
Pra dopar a louca fenomenal
Que queria acabar com a festa no arraial

Pobre Romeu do Conjunto
Aquela noite era especial
Quando ele de forma legal
Ia firmar compromisso
Mas o coitado decepcionado
Foi pra casa tomar um comprimido
E sem sorte no amor
Decidiu ser assumido.

Autor: Raí Duarte

domingo, 17 de junho de 2012

Socorro da Favela


Era noite de São João naquela favela
E Maria do Socorro toda bela
Pintada na maquiagem
Pensando ser a cinderela

Ela chegou no arraial
O cabelo parecia um milharal
E Socorro ridícula
Roia até a cutícula
A boca estava vermelha aguçada
 E de saia rodada
Ela correu toda amostrada
Pro meio da rapaziada

Um padre ia começar o casamento
E por um momento Socorro estava num lamento
Chorando porque ninguém queria a coitada
Mas parece que aquela noite era de fada
Socorro esbarrou num homem barbudo
Que ficou mudo com aquele absurdo

Uma mulher interessante com cara de amante
Pra junto dele tomar um espumante
Mas Socorro fitou o olho e viu que o moço
Não tinha dinheiro no bolso
E ela nem besta nem nada
Sacou logo a jogada
E saiu correndo pra sua jornada
Servir a comida para meninada

Oh Socorro atrevida
A bixinha não tem sorte na vida
Se arruma toda mal lambida
Enche de anel a mão
Parece aquelas viúvas que de antemão
Vagam na favela em busca de curtição

Naquela noite
Socorro só serviu de vela
Pois sua amiga Estela
Arrumou um namorado na favela
Um cabra tratante
Com dente de diamante
Que só servia pra ser amante

A festa rolou a noite inteira
E Socorro baladeira
Cheia de olheira
Desceu a ladeira
Perto da feira
Colocou toda a bagaceira numa bagagem
Retocou a maquiagem
E estava pronta pra outra maladragem.


Autor: Raí Duarte

























sexta-feira, 15 de junho de 2012

Nossa eterna tradição



Numa noite estrelada
A fogueira estava armada
Pra começar uma festa animada.

Tem xote, xaxado e baião
Tem comidas e quentão
Todo mundo festejando
Homenageando São João.

Mas no meio do salão
Um casamento apareceu
Um noivo logo fugiu
Sem contar o que sucedeu
A noiva em desespero
Chamou até o justiceiro
E todo mundo correu.

Lá fora um menino soltou um balão
Mas nós rogamos a São Pedro
Pedindo proteção
Pra que aquela travessura
Não gere destruição.

Eita noite especial!
O forró tá rolando no salão
Todo mundo com seu par
Na maior animação
Só pra celebrar nossa eterna tradição.


Autor: Raí Duarte 
Pedagogo e Especialista em Língua Portuguesa e Literatura

quarta-feira, 13 de junho de 2012

A volta de Lampião




Vou contar um caso que aconteceu
Naquela noite de São João
Haveria um casamento
Se não fosse Lampião.

Um cabra vestido de xadrez
Em sua embriaguez
Valente ficou ao saber
Que da festa não era freguês.

Assim, no meio da agitação
Esse homem demente
Rangeu logo o dente
E o padre de repente
Acabou a celebração.

Todo mundo pensou
Que Lampião havia voltado
E até o padre rezou
Ao vê-lo revoltado.

A noiva largou o buquê
E ninguém sabe o porquê
O noivo com um sorriso no rosto
Agradeceu pela confusão
Gerada pelo facínora Lampião

Então, devido à malícia
O padre chamou a polícia
Depois que o povo rezou
Lampião foi algemado
E a festa recomeçou.


Autor: Raí Duarte
Pedagogo e Especialista em Língua Portuguesa e Literatura