Era noite de São João naquela favela
E Maria do Socorro toda bela
Pintada na maquiagem
Pensando ser a cinderela
Ela chegou no arraial
O cabelo parecia um milharal
E Socorro ridícula
Roia até a cutícula
A boca estava vermelha aguçada
E de saia rodada
Ela correu toda amostrada
Pro meio da rapaziada
Um padre ia começar o casamento
E por um momento Socorro estava num lamento
Chorando porque ninguém queria a coitada
Mas parece que aquela noite era de fada
Socorro esbarrou num homem barbudo
Que ficou mudo com aquele absurdo
Uma mulher interessante com cara de amante
Pra junto dele tomar um espumante
Mas Socorro fitou o olho e viu que o moço
Não tinha dinheiro no bolso
E ela nem besta nem nada
Sacou logo a jogada
E saiu correndo pra sua jornada
Servir a comida para meninada
Oh Socorro atrevida
A bixinha não tem sorte na vida
Se arruma toda mal lambida
Enche de anel a mão
Parece aquelas viúvas que de antemão
Vagam na favela em busca de curtição
Naquela noite
Socorro só serviu de vela
Pois sua amiga Estela
Arrumou um namorado na favela
Um cabra tratante
Com dente de diamante
Que só servia pra ser amante
A festa rolou a noite inteira
E Socorro baladeira
Cheia de olheira
Desceu a ladeira
Perto da feira
Colocou toda a bagaceira numa bagagem
Retocou a maquiagem
E estava pronta pra outra maladragem.
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